quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Proposta a classificação patrimonial das oficinas de ferreiros de Vilar de Mouros




Cumprindo um dos propósitos que levaram à sua criação, a preservação da história da freguesia de Vilar de Mouros e da memória dos seus habitantes, o GEPPAV deu ontem entrada na Direção Regional de Cultura do Norte, na Casa de Ramalde, no Porto, da proposta de classificação patrimonial das oficinas de ferreiros Fontes e Torres. Para o efeito, fomos recebidos pelos Dr.Miguel Rodrigues e Drª.Sónia Gomes, técnicos superiores da DRCN, a quem fizemos entrega de um dossiê composto pelo requerimento inicial do procedimento de classificação, de acordo com os procedimentos de classificação de imóveis (Dec-Lei.309/09), acompanhado de duas publicações resultado da investigação sobre o tema — Ferreiros e Serralheiros de Vilar de Mouros (2008) e José Porto (1883-1965).Desvendando o arquitecto de Vilar de Mouros (2003), bem como por um CD-R com imagens das duas oficinas.
É conhecida a identificação de Vilar de Mouros com a arte dos metais, sendo que as duas grandes oficinas de ferreiros — a Oficina Torres e a Oficina Fontes, ambas sempre na posse das mesmas famílias — estiveram em contínua atividade desde, pelo menos, o século XVIII, como demonstrado pelas nossas recentes pesquisas. A partir de inícios do século XX, enquanto a Oficina Torres se especializava no fabrico de ferramentas especializadas para estucadores e pintores — vendidas em lojas e drogarias de norte a sul do país, sobretudo em Lisboa — a Oficina Fontes, que chegou a albergar duas dezenas de operários, dedicava-se à produção de alfaias agrícolas (sobretudo semeadores e sachadores), e a sua área de influência ultrapassou em muito o nível local para atingir uma surpreendente abrangência regional (Minho e Galiza) e até nacional. Graças ao sucesso comercial das suas alfaias, a Oficina Fontes (a maior das duas) beneficiou de uma importante obra de remodelação em 1948, com o projeto da autoria do arquiteto José Porto (1883-1965), um distinto conterrâneo há poucos anos regressado da Europa onde estudara e iniciara uma brilhante carreira profissional. Deste projeto de linguagem arquitetónica moderna e funcionalista, resultou o atual edifício da oficina, com extensas superfícies envidraçadas e uma clarabóia suspensa numa estrutura em madeira, única na região.
Ambas as oficinas cessaram a sua atividade industrial e comercial no decorrer da primeira década do século XXI, sendo que o seu exterior e interior (incluindo um valioso espólio industrial) se mantêm inalterados. A Oficina Torres, apesar de desativada, ainda é frequentada regularmente pelo seu último ferreiro e proprietário, enquanto a vizinha Oficina Fontes, há vários anos encerrada e à venda, se encontra em maior risco de degradação física, estando o seu espólio em sérios riscos de se perder.
A proposta de classificação das duas oficinas de ferreiros de Vilar de Mouros marca apenas o início de um processo de avaliação patrimonial por parte das entidades oficiais que é normalmente moroso mas importa sublinhar que a classificação de um imóvel no nosso país, que pode resultar da iniciativa do Estado, de uma associação ou de um cidadão a título individual, não tem qualquer interferência com a titularização, ou até transmissão, da propriedade, visando tão somente a salvaguarda e proteção do bem patrimonial.

sábado, 22 de outubro de 2011

Alerta para as pesqueiras e a calçada




No passado dia 17, elementos do GEPPAV deslocaram-se à Junta de Freguesia de Vilar de Mouros no sentido de alertarem o seu executivo para a situação precária em que se encontram duas estruturas patrimoniais da freguesia ligadas ao rio Coura. Uma delas são as pesqueiras a montante da ponte medieval que, apesar de particulares, são um testemunho vivo da economia local em tempos ainda relativamente próximos. Após os últimos invernos, as suas pedras (particularmente uma) encontram-se deslocadas e em risco de serem arrastadas para o fundo do rio. A jusante da ponte, por sua vez, situa-se a calçada das Telheiras, um caminho com séculos de uso que, depois de muito maltratado nos últimos anos (sobretudo pelos trabalhos da empresa Águas do Minho e Lima), está no presente em sério perigo de ruir por completo. Ambas as estruturas têm um valor insubstituível no contexto patrimonial de Vilar de Mouros e são um importante fator de atratividade turística, pelo que a sua eventual ruína significaria uma perda irreparável para a freguesia. Esperemos pois que este apelo do GEPPAV tenha sido ouvido e que a Junta de Freguesia envide todos os esforços junto das entidades competentes para impedirem que o próximo inverno complete a incúria dos homens em preservar a memória e a sua história.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Visita da Universidade Sénior



No passado sábado, 2 de Julho, o GEPPAV teve a grata oportunidade de receber na freguesia a visita de um grupo de alunos, responsáveis e docentes da Universidade Sénior do Rotary Club de Caminha que aqui vieram para melhor conhecer a Igreja Paroquial. A acompanhar o grupo vinha o Dr. Eduardo Pires Oliveira, doutorando na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a tese "André Soares e o rococó no Minho". Este investigador teve a oportunidade de apreciar a talha da igreja, chamando a atenção para os retábulo-mor e altares laterais barrocos, para além do tecto da capela-mor, em caixotões, com pinturas alusivas à Paixão de Cristo. Foi salientada, ainda, pelo Dr. Eduardo Oliveira, a produção de cereais vilarmourense que aparece constantemente nas preocupações do donatário, a Capela de S. Pedro de Rates, da Sé de Braga, dado que na documentação que ainda se conserva aparecem frequentes referências a consertos de tulhas, celeiros e estruturas ligadas às rendas de milho que a freguesia era obrigada a entregar. 

sábado, 11 de junho de 2011

Três lições de História






O Verão ainda não chegou mas, passado o trabalhoso período que rodeou a edição e apresentação do Álbum de Memórias do CIRV, o GEPPAV já merecia um dia de descanso, com História e Gastronomia à mistura como é hábito. No passado sábado, 4 de Junho, com a companhia do Basílio Barrocas — por direito próprio, um membro honorário do grupo — não foi preciso ir muito longe para usufruir de três proveitosas lições sobre o nosso passado, mais longínquo e mais recente. Começámos por este último, com uma visita ao Colégio Jesuíta de Pasaxe, em Camposancos, mesmo em frente a Caminha. Guiados por um seu antigo aluno, o Sr. João, foi-nos possível constatar o estado extremo de abandono e degradação a que chegou este imenso edifício que serviu como estabelecimento de ensino mas também, durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), como campo de concentração para presos republicanos. 
Recuando muito no tempo, seguimos depois para o Mosteiro de Oia, na estrada da Guarda a Baiona, um cenóbio cisterciense do século XII com uma longa história que tem ainda uma relação com Vilar de Mouros, mercê da louça de uso comum que daqui ia para a Galiza pelos finais do século XIX. 
Finalmente, depois de umas saborosas tapas e de um vinho do Ribeiro em amena esplanada da Praia América, atravessámos de volta a Ponte da Amizade para, na beira-rio de Lanhelas, assistirmos a uma divertida recriação do célebre episódio de 23 de Abril de 1644, em plena Guerra da Restauração, em que os bravos moradores da freguesia vizinha, com a ajuda de muitos vilarmourenses, como está documentalmente comprovado, repeliram uma investida de soldados galegos. Enfim, um dia bem passado antes do regresso ao trabalho.

terça-feira, 29 de março de 2011

GEPPAV apresentou Álbum de Memórias do CIRV







Foi apresentado este Domingo, dia do tradicional Almoço de Reis, o novo trabalho do GEPPAV, intitulado “Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense”. Perante o muito público presente na sede da Barrosa, a sessão de lançamento foi aberta pelo presidente da direcção do CIRV, Mário Ranhada, que declarou o seu orgulho pela obra agora apresentada aos vilarmourenses, bem demonstrativa do trabalho desenvolvido pela colectividade ao longo da sua história. Seguidamente, o trabalho foi sumariamente explanado por um dos membros do GEPPAV, Paulo Torres Bento, que salientou estar cumprida com o lançamento deste livro uma tarefa a que o grupo se propôs desde a sua constituição e para a qual foi recolhendo todos os dados possíveis. Novas e velhas gerações de vilarmourenses passam a dispor de um manancial de informações e imagens em que se podem apoiar com confiança para revisitar os episódios e os protagonistas do longínquo e mais recente passado cultural e recreativo da aldeia, devidamente inserido nos diversos contextos. Adiantou depois que, apesar do CIRV ter sido fundado em 1935, razões fundamentadas fazem recuar a sua história a 1907 porque é nas vésperas da implantação da República que radica a sua origem e grande parte do património genético que ainda hoje transporta consigo. Isso mesmo se explica no primeiro capítulo do estudo, a que se segue o relato da época áurea do teatro vilarmourense no velho Clube da Batalha, cenário de memoráveis espectáculos e bailes nos anos trinta a cinquenta do século XX. Vieram depois os tempos penosos da emigração europeia e da guerra colonial, que afastaram tantos vilarmourenses da sua terra, disso se ressentindo o CIRV. Antecipando o regresso da Democracia e da Liberdade em Abril de 1974, uma nova geração aliada a elementos mais antigos, reactivou a associação a partir de meados dos anos sessenta, um momento de viragem que conduziria a um dos períodos mais dinâmicos da sua existência com a mudança para a actual sede na Barrosa em 1986. Foi uma época marcada pela figura de Armando Ranhada, recentemente falecido, que no final da sessão de lançamento foi homenageado com o descerrar de uma lápide afixada no átrio da sede do CIRV, tarefa desempenhada por um dos seus filhos, Ricardo Ranhada. Não escondendo a emoção, Basílio Barrocas, actual presidente da assembleia geral da colectividade, proferiu depois breves mas sentidas palavras sobre a personalidade e a acção daquele que foi durante muitos anos seu colega na direcção, apesar dos diferentes ideais políticos. A edição do “Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense” foi apoiada pela Câmara Municipal de Caminha, que se fez representar no lançamento pelo seu vice-presidente Flamiano Martins, bem como pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, também presente na pessoa da sua presidente Sónia Fernandes. Nas suas intervenções, não deixaram ambos de recordar o seu próprio percurso associativo, salientando a importância de preservar as tradições de passadas gerações mas também de projectar uma esperança para o futuro das colectividades de cultura e recreio das freguesias, hoje a viverem sérias dificuldades de participação.

segunda-feira, 28 de março de 2011

José Porto na toponímia de Vilar de Mouros



Por proposta do GEPPAV e cumprindo uma decisão da Junta e Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros já com alguns anos, depois ratificada pela comissão municipal de toponímia, foi agora finalmente concretizada a afixação num largo à face da Estrada de Marinhas de uma placa toponímica com o nome “Largo Arquitecto José Porto”. Na breve cerimónia realizada na manhã do dia 26 de Março, em que estiveram presentes a presidente da Junta de Freguesia, Sónia Fernandes, o presidente do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, Mário Ranhada, membros do Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense (GEPPAV), e ainda amigos e vizinhos do benemérito arquitecto, José Porto (1883-1965) foi recordado com palavras de reconhecimento por alguns vilarmourenses que ainda tiveram oportunidade de o conhecer e de beneficiar da sua ajuda. Foi o caso de Daniel Silva, a quem José Porto ofereceu o projecto para a sua casa, e de Plácido Souto, membro do GEPPAV, que com ele aprendeu os rudimentos do desenho técnico. Recorde-se que José Porto foi em 2003 objecto de uma exposição retrospectiva da sua vida e obra, patente na Oficina Fontes, em Vilar de Mouros, ficando então evidente a relevância nacional do seu percurso profissional,  bem como o seu importante contributo para a freguesia natal, traduzido em múltiplos projectos por si oferecidos a particulares, à comunidade em geral e ao Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, actualmente a comemorar os seus 75 anos de existência.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bendita Queimadela em Venade






Integrado na iniciativa municipal Março é Teatro, o Grupo Cénico do CIRV foi este sábado ao Centro Cultural de Venade apresentar a peça Bendita Queimadela. Perante uma assistência divertida com as peripécias da comédia escrita em 1949 por Avelino Porto, os jovens e menos jovens actores vilarmourenses orientados pelo encenador Fernando Borlido deram mais uma prova do seu talento. Parabéns!