terça-feira, 2 de julho de 2013

Comunicado GEPPAV: Ainda sem solução o problema das minas de Covas



O Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense (GEPPAV) denunciou publicamente no passado dia 25 de abril mais um atentado ambiental no Rio Coura quando as suas águas surgiram opacas, com uma fortíssima coloração amarelada. Preocupado com a defesa do património natural do vale do Coura e a salvaguarda da saúde pública — existe uma captação de água para consumo público na Cavada, em Vilar de Mouros, que continua em atividade em regime de alternância — deu conhecimento às entidades competentes, exigindo o apuramento de responsabilidades e a resolução de um problema que se configura grave. Nesse mesmo dia estiveram no local elementos da Polícia Marítima e da GNR, tendo sido feita recolha de amostras de água para análise.
Pelo conhecimento de episódios semelhantes anteriores, logo apontámos as escombreiras das antigas minas de Covas como sendo a origem do problema. O que não sabíamos e, pelos vistos, as entidades que tutelam o Ambiente e a Marinha também não, é que a causa direta desta descarga de resíduos de minério nas águas do rio se deveu ao facto de ter sido iniciada a empreitada de melhoria no controlo do escoamento das águas superficiais na área mineira de Covas”, da  EDM – Empresa de Desenvolvimento Mineiro, S.A., que entregou essa obra, por ajuste direto, no valor de € 87.951,50 à FR3E–Energia e Novas Oportunidades, Lda.
Depois disso, o GEPPAV deslocou-se ao sítio das antigas minas por mais que uma vez, sendo a primeira a 4 de maio e a última a 22 de junho, desta feita acompanhado por um membro da Junta de Freguesia de Covas. Daquilo que é visível, houve uma forte movimentação de terras com maquinaria pesada, a instalação de caixas em cimento, ligadas entre si por tubagem, em parte já enterrada, e foram abertas valas para a colocação de pedra calcária com o objectivo de melhor filtrar a passagem de resíduos poluentes. Note-se, porém, que tudo isto acontece a jusante das escombreiras o que, indiciando a intenção de melhorar o que já existe, não vai à génese do problema que estará no atravessamento daquelas pelo curso de água regular da ribeira do Poço Negro.
O GEPPAV reconhece a necessidade de uma intervenção nas antigas minas de Covas em defesa do Rio Coura e de toda a área envolvente mas exige que a mesma seja feita em termos tais que resolvam efetivamente o problema de uma vez por todas. Nomeadamente, removendo os resíduos entretanto acumulados nas represas durante anos e evitando a passagem das águas da ribeira do Poço Negro nas escombreiras, de modo a que fenómenos como o que aconteceu a 25 de abril último não se voltem a repetir. Por outro lado, espera que seja rapidamente dado a conhecer pelas entidades responsáveis o resultado das análises realizadas às amostras de água recolhidas, dado que, apesar da nossa insistência, nomeadamente junto da Delegação de Saúde de Viana do Castelo e do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR de Valença, ainda nada foi possível apurar.

GEPPAV - 1 de Julho de 2013


sábado, 27 de abril de 2013

Comunicado GEPPAV: Não houve 25 de Abril para os peixes do Rio Coura



Os vilarmourenses que madrugaram este dia 25 de Abril, depararam com um estranho e desagradável espectáculo quando olharam para o Rio Coura e constataram que as suas águas estavam tingidas de um amarelo forte e opaco. Alertados de imediato, estiveram em Vilar de Mouros agentes da GNR e da Polícia Marítima que tomaram conta da ocorrência e recolheram amostras da água para análise.
Em pleno feriado e com uma temperatura agradável, estavam no largo do Casal e nas Azenhas diversos grupos de visitantes que, surpreendidos com o aspecto poluído do rio, provavelmente tão cedo não regressarão à freguesia. Para além das consequências na riqueza biológica e piscícola do Coura, convém também não esquecer que aqui é captada a água consumida em grande parte do concelho de Caminha.
Infelizmente, não é a primeira vez que sucede um evento desta natureza, sendo que a última com semelhante impacto data de Maio de 2011. A razão parece ser sempre a mesma: a deficiente selagem das antigas minas de Covas. Uma obra com esse objetivo da responsabilidade da EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro) e orçada em 1,6 milhões de euros, foi dada por concluída em Abril de 2008, já lá vão cinco anos. Porém, como se volta a comprovar, o problema da poluição do Rio Coura derivado das escombreiras do volfrâmio continua por resolver.
Por conhecimento do terreno, documentado com várias fotografias tiradas hoje mesmo, apontamos para que a origem de mais esta descarga poluidora se situe na ribeira do Poço Negro (imagens supra) — situada cerca de 700 m a jusante da barragem de Covas — que faz afluir ao Coura as águas contaminadas provenientes das velhas minas, pelos vistos mal seladas.
O GEPPAV, na defesa do património natural do vale do Coura e preocupado com a salvaguarda da saúde pública, vem desta forma alertar para uma questão que nos parece muito grave, ao mesmo tempo que exige das autoridades responsáveis urgentes medidas de apuramento de responsabilidades e resolução deste grave problema ambiental.   

Vilar de Mouros, 25 de Abril de 2013