terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Obituário de João Violante – Sentida homenagem do GEPPAV



Faleceu a 27 de Novembro de 2012, no lugar da Cavada, freguesia de Vilar de Mouros, na casa onde vivia com sua esposa, Maria Eduarda Covelo, João Sebastião Gonçalves, mais conhecido por Violante, nome familiar do lado paterno, aos 85 anos de idade. Já bastante debilitado pelos múltiplos problemas de saúde de que padecia, continuou, mesmo assim e até ao último dia, a fazer uma vida o mais próximo possível da normalidade. Homem de caráter forte, as palavras desistência, ou rendição, não faziam parte do seu vocabulário. No dia anterior à sua morte ainda se deslocou, sozinho, no automóvel próprio, como sempre fazia, ao bar das azenhas, refúgio preferido dos seus momentos de meditação, melancolia, mas também de lazer e de convívio.
Nascido a 20 de Janeiro de 1927, dia de S. Sebastião (daí o seu nome), no lugar do Agrelo, desta mesma freguesia, filho mais novo e único varão de uma família de pequenos agricultores, começou, logo que cumprida a escolaridade obrigatória, na altura a quarta classe, com doze anos de idade, por ajudar sua mãe e as três irmãs nas bem duras tarefas do campo. Cedo, porém, mudou de rumo. 
Correndo-lhe nas veias o sangue dos Gonçalves, família de muitos e bons estucadores, após uma curta passagem pela construção civil, ainda em Caminha, onde deu os primeiros passos na aprendizagem do estuque, partiu, aos dezoito anos, para Lisboa, onde se manteve até aos vinte e cinco, trabalhando na arte e frequentando, ao mesmo tempo, um curso de quatro anos na escola António Arroio. Com os conhecimentos aí adquiridos e possuindo uma apetência e habilidade inatas tanto para o desenho como para a moldagem (há baixos-relevos seus no bar das Azenhas, em sua casa, na parede exterior da Junta de Freguesia e do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense) é de supor que viesse a ter uma carreira de grande sucesso nessa área, não fossem os graves e recorrentes problemas de pele que estiveram na origem do seu prematuro regresso à terra natal. Virou-se então para a cerâmica, primeiro numa breve passagem pela oficina de António Pedro, em Moledo, onde trabalhou com Vítor Barrocas, e depois na fábrica de louça da Meadela. Mas também esta atividade foi de pouca dura. Dada a fraca compensação remuneratória para tanto esforço despendido (tinha de se deslocar diariamente, a pé e de comboio, de casa para o trabalho) e também por conselho médico, abandonou, em 1960, tendo optado por se estabelecer por conta própria, como pequeno comerciante, profissão que exerceria até se reformar.
Homem de convicções, dinâmico, corajoso, de grande firmeza de caráter, muito sensível às desigualdades e injustiças sociais, foi com enorme entusiasmo que assistiu à queda do regime fascista em 1974, tornando-se militante do Partido Comunista Português e desempenhando um papel muito interventivo na vida cívica, associativa e política vilarmourense. Foi vice-presidente do C.I.R.V. – Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, desempenhou funções na Comissão de Moradores local, na Cooperativa Agrícola Vilarmourense e no Conselho Diretivo de Baldios. Em termos estritamente políticos cumpriu dois mandatos como deputado da Assembleia de Freguesia e um terceiro como tesoureiro da Junta, de 1989 a 1993, sempre em representação da coligação integrada pelo PCP.
O seu gosto pela escrita, sobretudo pela poesia, o amor à sua terra e, muito em particular, ao Rio Coura, aliados a um espírito observador, crítico, por vezes mordaz, e a uma alma apaixonada, transbordante de emoções, fizeram com que fosse rabiscando, durante largos anos, ao sabor da inspiração do momento, pequenos textos, em prosa e em verso, em folhas soltas que, compiladas, acabariam por dar origem a um pequeno livro de sua autoria, intitulado “Lírica Vilarmourense”, editado em Novembro de 2010 e oferecido aos amigos e camaradas.       
Foi a sepultar no cemitério de Vilar de Mouros, no dia 28 de Novembro de 2012, pelas catorze horas, com a bandeira do PCP a cobrir a urna, conforme sua vontade expressa. Com este obituário, o Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense presta uma sentida homenagem a João Violante, a quem fica a dever uma continuada colaboração e ajuda no sentido da preservação da história de Vilar de Mouros e da memória do seu povo.


                                                                                                                         

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tripla Homenagem




Foram três os vilarmourenses entrevistados pelo GEPPAV que este verão de 2012 faleceram, todos já com uma bela idade e uma longa e honrada vida de trabalho. Agradecendo postumamente a sua colaboração para a preservação da memória da freguesia, aqui deixamos este registo a título de homenagem a Armando da Ressurreição Pontes (25/09/1916 - 06/08/2012), Abel António Ranhada (19/01/1918 - 19/09/2012) e Maria de Jesus Gomes (30/05/1919 - 19/09/2012).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Trabalho e recompensa





Contrariamente ao que pode sugerir a frequência de mensagens neste blogue, o GEPPAV não tem estado parado. Entre outras direções de investigação que sempre vão surgindo, a atenção maior tem sido dirigida para a pesquisa sobre a mineração em Vilar de Mouros no século XX, uma temática de grande interesse para a história da freguesia e do concelho de Caminha. As imagens insertas (uma à superfície no Castelhão e outra, subterrânea, na Fonte Nova) mostram a faceta mais dinâmica desta atividade em curso que, contudo, exige também aturada pesquisa documental. Se os objetivos forem cumpridos, contamos apresentar resultados no próximo ano de 2013 num caderno do património especial que incluirá ainda um valioso trabalho sobre a nossa realidade mineira da autoria da geóloga Raquel Alves, com quem o GEPPAV tem vindo a colaborar desde 2007. Entretanto, como não somos feitos de ferro (apenas de volfrâmio e estanho), antes da merecida pausa estival fomos conhecer o restaurante Muralha de Caminha, um nome apropriado para um novo estabelecimento hoteleiro que não hesitamos agora em recomendar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Maqueta restaurada apresentada no Almoço de Reis







Graças à mestria de Alberto Constantino, foi possível apresentar no Almoço de Reis, realizado no dia 1 de Abril, a maqueta restaurada do Hotel Porta do Sol (Caminha). Recentemente oferecida ao GEPPAV pelo seu encomendador — o construtor civil Luís Silva — trata-se de uma das últimas maquetas em gesso feita pela plêiade de maquetistas vilarmourenses, a derradeira mesmo de Manuel Renda que em 1989 a realizou em conjunto com o seu sobrinho Alberto Constantino. Junta-se agora às restantes maquetas restauradas por iniciativa do GEPPAV para a exposição de 2009 na Estufa do CIRV que, estando bem guardadas, precisariam contudo de um local condigno para ficarem em mostra permanente em Vilar de Mouros.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Melhoramento na sala do GEPPAV




Com a contribuição de todos, com destaque para o nosso digno representante na direção do CIRV — o Diretor Plácido Souto —, a sala do GEPPAV foi substancialmente melhorada na passada sexta-feira, antecedendo mais uma reunião de trabalho. Uma das paredes foi revestida a corticite, uma aparente pequena obra que, contudo, ao possibilitar a afixação da cartografia da freguesia em muito boa escala — obrigado ao arquiteto vilarmourense Jorge Alves pela ajuda desinteressada neste capítulo—, vem facilitar o labor nesta área tão importante para a construção do conhecimento histórico. Um bom exemplo é a tarefa que estamos agora a desenvolver: a localização aproximada das propriedades da Igreja na freguesia de acordo com o tombo da mesma do século XVI, há alguns anos transcrito pelo nosso amigo paleógrafo António França Amaral. Um trabalho moroso, por vezes frustrante pela ausência de informações rigorosas na identificação precisa de cada propriedade, mas que certamente vale pelo conhecimento acrescido sobre a geografia dos lugares e caminhos, a economia e a toponímia de Vilar de Mouros em época tão recuada — possibilitando, posteriormente, o confronto com tempos mais recentes e a própria atualidade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

8.º aniversário comemorado com visita ao Castro de São Lourenço







São já oito anos de atividade aqueles que leva o GEPPAV, motivo de merecida comemoração. Primeiro gastronómica — em simpático restaurante ancorense de sabor brasileiro —, seguindo-se a habitual visita de estudo, desta vez ao Castro de São Lourenço (Vila Chã, Esposende) e ao seu novo Centro Interpretativo. Aqui fomos recebidos pela arqueóloga municipal Ana Almeida que amavelmente nos guiou pelas modernas instalações inauguradas em Agosto passado, culminando anos consecutivos de campanhas de escavação arqueológica sob a direção do Professor Carlos Alberto Brochado de Almeida da Universidade do Porto. Sorte a dos esposendenses, particularmente dos jovens em idade escolar, que têm agora à sua disposição um apelativo módulo de aprendizagem, introduzindo o posterior percurso pedestre por entre as edificações castrejas postas à vista pelos arqueólogos, algumas delas recriadas na sua forma original para mais fácil perceção de épocas longínquas. Escusado será dizer que no concelho de Caminha, também em Vilar de Mouros (Monte do Crasto), são diversos os sítios de interesse arqueológico, alguns deles objeto no passado recente de significativas campanhas de escavação — com destaque para o Coto da Pena (Vilarelho) e a Cividade de Âncora-Afife — que mereceriam a mesma atenção, valorizando a nossa História e contribuindo para a dinamização do turismo cultural e pedagógico. Aqui tão perto, Esposende é um exemplo a seguir.