sexta-feira, 6 de abril de 2012

Maqueta restaurada apresentada no Almoço de Reis







Graças à mestria de Alberto Constantino, foi possível apresentar no Almoço de Reis, realizado no dia 1 de Abril, a maqueta restaurada do Hotel Porta do Sol (Caminha). Recentemente oferecida ao GEPPAV pelo seu encomendador — o construtor civil Luís Silva — trata-se de uma das últimas maquetas em gesso feita pela plêiade de maquetistas vilarmourenses, a derradeira mesmo de Manuel Renda que em 1989 a realizou em conjunto com o seu sobrinho Alberto Constantino. Junta-se agora às restantes maquetas restauradas por iniciativa do GEPPAV para a exposição de 2009 na Estufa do CIRV que, estando bem guardadas, precisariam contudo de um local condigno para ficarem em mostra permanente em Vilar de Mouros.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Melhoramento na sala do GEPPAV




Com a contribuição de todos, com destaque para o nosso digno representante na direção do CIRV — o Diretor Plácido Souto —, a sala do GEPPAV foi substancialmente melhorada na passada sexta-feira, antecedendo mais uma reunião de trabalho. Uma das paredes foi revestida a corticite, uma aparente pequena obra que, contudo, ao possibilitar a afixação da cartografia da freguesia em muito boa escala — obrigado ao arquiteto vilarmourense Jorge Alves pela ajuda desinteressada neste capítulo—, vem facilitar o labor nesta área tão importante para a construção do conhecimento histórico. Um bom exemplo é a tarefa que estamos agora a desenvolver: a localização aproximada das propriedades da Igreja na freguesia de acordo com o tombo da mesma do século XVI, há alguns anos transcrito pelo nosso amigo paleógrafo António França Amaral. Um trabalho moroso, por vezes frustrante pela ausência de informações rigorosas na identificação precisa de cada propriedade, mas que certamente vale pelo conhecimento acrescido sobre a geografia dos lugares e caminhos, a economia e a toponímia de Vilar de Mouros em época tão recuada — possibilitando, posteriormente, o confronto com tempos mais recentes e a própria atualidade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

8.º aniversário comemorado com visita ao Castro de São Lourenço







São já oito anos de atividade aqueles que leva o GEPPAV, motivo de merecida comemoração. Primeiro gastronómica — em simpático restaurante ancorense de sabor brasileiro —, seguindo-se a habitual visita de estudo, desta vez ao Castro de São Lourenço (Vila Chã, Esposende) e ao seu novo Centro Interpretativo. Aqui fomos recebidos pela arqueóloga municipal Ana Almeida que amavelmente nos guiou pelas modernas instalações inauguradas em Agosto passado, culminando anos consecutivos de campanhas de escavação arqueológica sob a direção do Professor Carlos Alberto Brochado de Almeida da Universidade do Porto. Sorte a dos esposendenses, particularmente dos jovens em idade escolar, que têm agora à sua disposição um apelativo módulo de aprendizagem, introduzindo o posterior percurso pedestre por entre as edificações castrejas postas à vista pelos arqueólogos, algumas delas recriadas na sua forma original para mais fácil perceção de épocas longínquas. Escusado será dizer que no concelho de Caminha, também em Vilar de Mouros (Monte do Crasto), são diversos os sítios de interesse arqueológico, alguns deles objeto no passado recente de significativas campanhas de escavação — com destaque para o Coto da Pena (Vilarelho) e a Cividade de Âncora-Afife — que mereceriam a mesma atenção, valorizando a nossa História e contribuindo para a dinamização do turismo cultural e pedagógico. Aqui tão perto, Esposende é um exemplo a seguir.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Proposta a classificação patrimonial das oficinas de ferreiros de Vilar de Mouros




Cumprindo um dos propósitos que levaram à sua criação, a preservação da história da freguesia de Vilar de Mouros e da memória dos seus habitantes, o GEPPAV deu ontem entrada na Direção Regional de Cultura do Norte, na Casa de Ramalde, no Porto, da proposta de classificação patrimonial das oficinas de ferreiros Fontes e Torres. Para o efeito, fomos recebidos pelos Dr.Miguel Rodrigues e Drª.Sónia Gomes, técnicos superiores da DRCN, a quem fizemos entrega de um dossiê composto pelo requerimento inicial do procedimento de classificação, de acordo com os procedimentos de classificação de imóveis (Dec-Lei.309/09), acompanhado de duas publicações resultado da investigação sobre o tema — Ferreiros e Serralheiros de Vilar de Mouros (2008) e José Porto (1883-1965).Desvendando o arquitecto de Vilar de Mouros (2003), bem como por um CD-R com imagens das duas oficinas.
É conhecida a identificação de Vilar de Mouros com a arte dos metais, sendo que as duas grandes oficinas de ferreiros — a Oficina Torres e a Oficina Fontes, ambas sempre na posse das mesmas famílias — estiveram em contínua atividade desde, pelo menos, o século XVIII, como demonstrado pelas nossas recentes pesquisas. A partir de inícios do século XX, enquanto a Oficina Torres se especializava no fabrico de ferramentas especializadas para estucadores e pintores — vendidas em lojas e drogarias de norte a sul do país, sobretudo em Lisboa — a Oficina Fontes, que chegou a albergar duas dezenas de operários, dedicava-se à produção de alfaias agrícolas (sobretudo semeadores e sachadores), e a sua área de influência ultrapassou em muito o nível local para atingir uma surpreendente abrangência regional (Minho e Galiza) e até nacional. Graças ao sucesso comercial das suas alfaias, a Oficina Fontes (a maior das duas) beneficiou de uma importante obra de remodelação em 1948, com o projeto da autoria do arquiteto José Porto (1883-1965), um distinto conterrâneo há poucos anos regressado da Europa onde estudara e iniciara uma brilhante carreira profissional. Deste projeto de linguagem arquitetónica moderna e funcionalista, resultou o atual edifício da oficina, com extensas superfícies envidraçadas e uma clarabóia suspensa numa estrutura em madeira, única na região.
Ambas as oficinas cessaram a sua atividade industrial e comercial no decorrer da primeira década do século XXI, sendo que o seu exterior e interior (incluindo um valioso espólio industrial) se mantêm inalterados. A Oficina Torres, apesar de desativada, ainda é frequentada regularmente pelo seu último ferreiro e proprietário, enquanto a vizinha Oficina Fontes, há vários anos encerrada e à venda, se encontra em maior risco de degradação física, estando o seu espólio em sérios riscos de se perder.
A proposta de classificação das duas oficinas de ferreiros de Vilar de Mouros marca apenas o início de um processo de avaliação patrimonial por parte das entidades oficiais que é normalmente moroso mas importa sublinhar que a classificação de um imóvel no nosso país, que pode resultar da iniciativa do Estado, de uma associação ou de um cidadão a título individual, não tem qualquer interferência com a titularização, ou até transmissão, da propriedade, visando tão somente a salvaguarda e proteção do bem patrimonial.

sábado, 22 de outubro de 2011

Alerta para as pesqueiras e a calçada




No passado dia 17, elementos do GEPPAV deslocaram-se à Junta de Freguesia de Vilar de Mouros no sentido de alertarem o seu executivo para a situação precária em que se encontram duas estruturas patrimoniais da freguesia ligadas ao rio Coura. Uma delas são as pesqueiras a montante da ponte medieval que, apesar de particulares, são um testemunho vivo da economia local em tempos ainda relativamente próximos. Após os últimos invernos, as suas pedras (particularmente uma) encontram-se deslocadas e em risco de serem arrastadas para o fundo do rio. A jusante da ponte, por sua vez, situa-se a calçada das Telheiras, um caminho com séculos de uso que, depois de muito maltratado nos últimos anos (sobretudo pelos trabalhos da empresa Águas do Minho e Lima), está no presente em sério perigo de ruir por completo. Ambas as estruturas têm um valor insubstituível no contexto patrimonial de Vilar de Mouros e são um importante fator de atratividade turística, pelo que a sua eventual ruína significaria uma perda irreparável para a freguesia. Esperemos pois que este apelo do GEPPAV tenha sido ouvido e que a Junta de Freguesia envide todos os esforços junto das entidades competentes para impedirem que o próximo inverno complete a incúria dos homens em preservar a memória e a sua história.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Visita da Universidade Sénior



No passado sábado, 2 de Julho, o GEPPAV teve a grata oportunidade de receber na freguesia a visita de um grupo de alunos, responsáveis e docentes da Universidade Sénior do Rotary Club de Caminha que aqui vieram para melhor conhecer a Igreja Paroquial. A acompanhar o grupo vinha o Dr. Eduardo Pires Oliveira, doutorando na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a tese "André Soares e o rococó no Minho". Este investigador teve a oportunidade de apreciar a talha da igreja, chamando a atenção para os retábulo-mor e altares laterais barrocos, para além do tecto da capela-mor, em caixotões, com pinturas alusivas à Paixão de Cristo. Foi salientada, ainda, pelo Dr. Eduardo Oliveira, a produção de cereais vilarmourense que aparece constantemente nas preocupações do donatário, a Capela de S. Pedro de Rates, da Sé de Braga, dado que na documentação que ainda se conserva aparecem frequentes referências a consertos de tulhas, celeiros e estruturas ligadas às rendas de milho que a freguesia era obrigada a entregar. 

sábado, 11 de junho de 2011

Três lições de História






O Verão ainda não chegou mas, passado o trabalhoso período que rodeou a edição e apresentação do Álbum de Memórias do CIRV, o GEPPAV já merecia um dia de descanso, com História e Gastronomia à mistura como é hábito. No passado sábado, 4 de Junho, com a companhia do Basílio Barrocas — por direito próprio, um membro honorário do grupo — não foi preciso ir muito longe para usufruir de três proveitosas lições sobre o nosso passado, mais longínquo e mais recente. Começámos por este último, com uma visita ao Colégio Jesuíta de Pasaxe, em Camposancos, mesmo em frente a Caminha. Guiados por um seu antigo aluno, o Sr. João, foi-nos possível constatar o estado extremo de abandono e degradação a que chegou este imenso edifício que serviu como estabelecimento de ensino mas também, durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), como campo de concentração para presos republicanos. 
Recuando muito no tempo, seguimos depois para o Mosteiro de Oia, na estrada da Guarda a Baiona, um cenóbio cisterciense do século XII com uma longa história que tem ainda uma relação com Vilar de Mouros, mercê da louça de uso comum que daqui ia para a Galiza pelos finais do século XIX. 
Finalmente, depois de umas saborosas tapas e de um vinho do Ribeiro em amena esplanada da Praia América, atravessámos de volta a Ponte da Amizade para, na beira-rio de Lanhelas, assistirmos a uma divertida recriação do célebre episódio de 23 de Abril de 1644, em plena Guerra da Restauração, em que os bravos moradores da freguesia vizinha, com a ajuda de muitos vilarmourenses, como está documentalmente comprovado, repeliram uma investida de soldados galegos. Enfim, um dia bem passado antes do regresso ao trabalho.

terça-feira, 29 de março de 2011

GEPPAV apresentou Álbum de Memórias do CIRV







Foi apresentado este Domingo, dia do tradicional Almoço de Reis, o novo trabalho do GEPPAV, intitulado “Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense”. Perante o muito público presente na sede da Barrosa, a sessão de lançamento foi aberta pelo presidente da direcção do CIRV, Mário Ranhada, que declarou o seu orgulho pela obra agora apresentada aos vilarmourenses, bem demonstrativa do trabalho desenvolvido pela colectividade ao longo da sua história. Seguidamente, o trabalho foi sumariamente explanado por um dos membros do GEPPAV, Paulo Torres Bento, que salientou estar cumprida com o lançamento deste livro uma tarefa a que o grupo se propôs desde a sua constituição e para a qual foi recolhendo todos os dados possíveis. Novas e velhas gerações de vilarmourenses passam a dispor de um manancial de informações e imagens em que se podem apoiar com confiança para revisitar os episódios e os protagonistas do longínquo e mais recente passado cultural e recreativo da aldeia, devidamente inserido nos diversos contextos. Adiantou depois que, apesar do CIRV ter sido fundado em 1935, razões fundamentadas fazem recuar a sua história a 1907 porque é nas vésperas da implantação da República que radica a sua origem e grande parte do património genético que ainda hoje transporta consigo. Isso mesmo se explica no primeiro capítulo do estudo, a que se segue o relato da época áurea do teatro vilarmourense no velho Clube da Batalha, cenário de memoráveis espectáculos e bailes nos anos trinta a cinquenta do século XX. Vieram depois os tempos penosos da emigração europeia e da guerra colonial, que afastaram tantos vilarmourenses da sua terra, disso se ressentindo o CIRV. Antecipando o regresso da Democracia e da Liberdade em Abril de 1974, uma nova geração aliada a elementos mais antigos, reactivou a associação a partir de meados dos anos sessenta, um momento de viragem que conduziria a um dos períodos mais dinâmicos da sua existência com a mudança para a actual sede na Barrosa em 1986. Foi uma época marcada pela figura de Armando Ranhada, recentemente falecido, que no final da sessão de lançamento foi homenageado com o descerrar de uma lápide afixada no átrio da sede do CIRV, tarefa desempenhada por um dos seus filhos, Ricardo Ranhada. Não escondendo a emoção, Basílio Barrocas, actual presidente da assembleia geral da colectividade, proferiu depois breves mas sentidas palavras sobre a personalidade e a acção daquele que foi durante muitos anos seu colega na direcção, apesar dos diferentes ideais políticos. A edição do “Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense” foi apoiada pela Câmara Municipal de Caminha, que se fez representar no lançamento pelo seu vice-presidente Flamiano Martins, bem como pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, também presente na pessoa da sua presidente Sónia Fernandes. Nas suas intervenções, não deixaram ambos de recordar o seu próprio percurso associativo, salientando a importância de preservar as tradições de passadas gerações mas também de projectar uma esperança para o futuro das colectividades de cultura e recreio das freguesias, hoje a viverem sérias dificuldades de participação.

segunda-feira, 28 de março de 2011

José Porto na toponímia de Vilar de Mouros



Por proposta do GEPPAV e cumprindo uma decisão da Junta e Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros já com alguns anos, depois ratificada pela comissão municipal de toponímia, foi agora finalmente concretizada a afixação num largo à face da Estrada de Marinhas de uma placa toponímica com o nome “Largo Arquitecto José Porto”. Na breve cerimónia realizada na manhã do dia 26 de Março, em que estiveram presentes a presidente da Junta de Freguesia, Sónia Fernandes, o presidente do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, Mário Ranhada, membros do Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense (GEPPAV), e ainda amigos e vizinhos do benemérito arquitecto, José Porto (1883-1965) foi recordado com palavras de reconhecimento por alguns vilarmourenses que ainda tiveram oportunidade de o conhecer e de beneficiar da sua ajuda. Foi o caso de Daniel Silva, a quem José Porto ofereceu o projecto para a sua casa, e de Plácido Souto, membro do GEPPAV, que com ele aprendeu os rudimentos do desenho técnico. Recorde-se que José Porto foi em 2003 objecto de uma exposição retrospectiva da sua vida e obra, patente na Oficina Fontes, em Vilar de Mouros, ficando então evidente a relevância nacional do seu percurso profissional,  bem como o seu importante contributo para a freguesia natal, traduzido em múltiplos projectos por si oferecidos a particulares, à comunidade em geral e ao Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, actualmente a comemorar os seus 75 anos de existência.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bendita Queimadela em Venade






Integrado na iniciativa municipal Março é Teatro, o Grupo Cénico do CIRV foi este sábado ao Centro Cultural de Venade apresentar a peça Bendita Queimadela. Perante uma assistência divertida com as peripécias da comédia escrita em 1949 por Avelino Porto, os jovens e menos jovens actores vilarmourenses orientados pelo encenador Fernando Borlido deram mais uma prova do seu talento. Parabéns!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Bendito espectáculo!





Aqui estão algumas das prometidas imagens do espectáculo de hoje no salão do CIRV, sendo visível numa delas o muito público presente.

Bendito sucesso!



Avelino Porto certamente ficaria muito satisfeito se pudesse ter estado hoje no salão do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, a celebrar os seus 75 anos. A representação da sua Bendita Queimadela foi um verdadeiro sucesso e o público correspondeu com uma enchente como há muito não se via no Teatro em Vilar de Mouros. Por este êxito, merecem o maior aplauso o encenador Fernando Borlido e os actores Augusta Caldas (brilhante no papel de Apolinária), Alberto Porto, Amélia Barros, Rui Barrocas, Débora Vilarinho, César Barros, Maria do Carmo Pereira, Gabriel Barros, Magda Barros e Clara Bento. De igual modo, são de louvar todos aqueles que contribuíram nos bastidores para que esta peça fosse possível: Basílio Barrocas, Carlos Pedro Barrocas e João Arieira na música; Carlos da Torre, no cartaz-folheto; o GEPPAV na pesquisa e no apoio; a Direcção do CIRV, com destaque para o seu Presidente Mário Ranhada, António Fiúza, José Maria Barros e José Pereira, em toda a logística. De salientar ainda o acompanhamento da comunicação social: do jornal Caminh@2000, sempre perto dos acontecimentos do concelho, e do Porto Canal, esta sim uma rara presença televisiva que se saúda. Publicamos agora imagens do elenco reunido no palco no final do ensaio geral de manhã e da festa que se seguiu ao espectáculo, no decorrer da qual Fernando Borlido foi merecidamente objecto do agradecimento por parte dos responsáveis do Centro. As fotografias da representação ficam para próximas mensagens. Parabéns a todos!

Hoje há Teatro!



Mantendo uma tradição da idade do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense (75 anos), raras vezes interrompida, há Teatro em Vilar de Mouros por ocasião do Natal. É hoje, Domingo, pelas 15 h, que estreia uma comédia escrita pelo vilarmourense Avelino Porto em 1949 e agora encenada em 2010 por Fernando Borlido que dirige um grupo animado de jovens, e menos jovens, vilarmourenses. Bendita Queimadela!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Bendita Queimadela em ensaios



Aproxima-se a data da estreia (Domingo, 26 de Dezembro, 15 h) e intensificam-se os ensaios da comédia de Avelino Porto Bendita Queimadela sob a orientação do encenador Fernando Borlido (na imagem, com Alberto Porto, Augusta Caldas e Amélia Barros), enquanto membros da Direcção do CIRV (aqui, Mário Ranhada e José Maria Barros) ultimam os cenários.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Quem foi Avelino Porto?



Escrevemos na mensagem anterior que Bendita Queimadela, a peça em ensaios no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense com estreia marcada para o próximo dia 26 de Dezembro, pelas 15h, foi escrita pelo vilarmourense Avelino Porto em 1949 e representada pelo Grupo Dramático do CIRV nesse mesmo ano. Mas quem foi afinal Avelino Porto? É para responder a esta questão que deixamos a seguir uma breve resenha biográfica da sua vida elaborada pelo GEPPAV.

Avelino Porto (1881-1973)


Avelino José Porto nasceu no lugar da Fonte do Castanho (Marinhas, Vilar de Mouros) no dia 15 de Março de 1881. Era filho de David António Afonso do Porto, pintor da construção civil, e de Ana Joaquina do Monte, parteira. Foram seus padrinhos de baptismo o tio paterno José Maria Afonso do Porto, estucador, e a tia materna, Maria das Neves do Monte. Dois anos passados, em 10 de Outubro de 1883, nasceria na mesma casa o seu único irmão, José Luís Porto.
Ainda na infância, acompanhou a família na emigração para Lisboa onde o pai se estabeleceu como mestre de obras, completando nas escolas da capital o ensino primário, sendo menos certa a frequência de estudos secundários, mesmo se não é impossível que tenha passado pela Escola Industrial Marquês de Pombal, onde foi aluno laureado o irmão José Luís, que viria a ser artista e arquitecto de renome depois de estudos superiores na Suíça como pensionista do Estado.
Como primogénito, terá cabido a Avelino a mais dura tarefa de se juntar ao pai e ao tio nas muitas obras que nesse início do século XX faziam de Lisboa um imenso estaleiro de novas avenidas, altivos prédios de rendimento e mais modestos bairros sociais. Seguindo a profissão paterna, enveredou pela carreira de pintor mas, de mãos habilidosas, depressa se distinguiu na difícil arte de fingidor, imitando no vulgar estuque, artísticos veios de valiosos mármores e outras pedras e madeiras nobres. 
Viviam-se os últimos anos de uma decadente Monarquia, sorriu-lhe a sorte na pessoa de Hedeviges da Conceição Rodrigues (terá nascido em 1881 na freguesia dos Anjos da cidade de Lisboa), menina de boas famílias e fazenda a condizer, com quem se casou por amor e fortuna, feliz união da qual brotaria em 1909 o único filho Mário, também ele futuro arquitecto para não desmerecer a veia artística da família. 
Com moradia garantida lá para as bandas de Rio Seco, na fina Belém, e rendimentos bastantes para não precisar de manter continuamente as mãos no gesso e na cal, Avelino Porto pôde então multiplicar as visitas à bela e romântica Sintra, de que tanto gostava, porventura mercê da admiração que sentia pela obra de Camilo Castelo Branco e da paixão que nutria pela arte fotográfica e até pela ópera, cujas mais famosas árias sabia de cor, como recordam aqueles que melhor o conheceram.
A acrescida disponibilidade na época das festas, quando os muitos emigrados em Lisboa regressavam por momentos à amada terra natal, permitiu-lhe prestar relevantes serviços ao recém-criado Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, do qual foi um dos primeiros associados. Fundado em Novembro de 1935 e dispondo desde Março do ano seguinte de uma sede própria no antigo lagar do azeite, ali à Batalha, o Centro aproveitava o facto de dispor de uma boa sala de espectáculos e dava início à sua época áurea de operetas e variedades. Avelino Porto, alternando com o irmão José Luís, terá sido então responsável por alguns dos cenários das primeiras peças de teatro levadas à cena, como o atesta a decisão da direcção do Centro em o dispensar do pagamento de quotas por serviços prestados à colectividade.
Aproximava-se o final da década de 40, quando Avelino Porto, já sexagenário, regressou definitivamente a Vilar de Mouros, adquirindo para o efeito uma moradia na soalheira encosta de Marinhas, não muito distante da casa paterna, então ocupada pelo irmão, a viver o auge da sua carreira, e a sua vistosa esposa francesa Betsy. Avelino e Hedeviges, por sua vez, levavam uma vida social mais recatada que raramente os fazia ir até à ponte o que contudo não impediu o antigo fingidor de se estrear nas lides literárias, ele que na sua juventude tinha chegado a ser colaborador da imprensa local. 
Entre 1946 e 1949 Avelino Porto terá escrito três obras teatrais, primeiro a opereta Cenas Aldeãs em 1946, que desconhecemos se foi alguma vez levada à cena; em 1948 o drama Caras Pintadas, que foi representado pelo grupo cénico do CIRV no Natal desse ano e repetido noutras actuações até Fevereiro do ano seguinte, com os cenários também da sua responsabilidade. Satisfeito com a boa recepção, escreveu em 1949 a comédia Bendita Queimadela que terá sido levada à cena nesse mesmo ano, assim completando a breve e, que se saiba, única incursão dramatúrgica por autores vilarmourenses até à data. 
Avelino Porto ainda viveria por mais quase duas décadas na sua casa de Marinhas, certamente mais triste a partir de 25 de Fevereiro de 1960 quando enviuvou da sua Hedeviges, restando-lhe os passeios até Caminha onde gostava de cavaquear à porta do Café-Bar com o amigo Júlio Baptista, emérito poeta, também ele no ocaso da vida, com quem trocava epístolas e amargurados sonetos evocando perdidas juventudes. Perto do final, de saúde frágil e limitado fisicamente, foi acolhido no Lar do Bom Jesus dos Mareantes em Caminha, onde viria a falecer no dia 16 de Janeiro de 1973, encerrando aos noventa e um anos de idade uma longa e preenchida existência, plena de fantasia e Arte.

domingo, 10 de outubro de 2010

Teatro do Natal em marcha



O tradicional espectáculo teatral do CIRV na época do Natal vai ser este ano diferente. Em plena comemoração dos 75 anos da mais importante colectividade da freguesia, um renovado grupo dramático sob a orientação do encenador Fernando Borlido, está a preparar a representação da comédia Bendita Queimadela, escrita em 1949 pelo vilarmourense Avelino Porto (1881-1973). Juntamente com o drama Caras Pintadas (1948), do mesmo autor, é um exemplo único da dramaturgia local que o GEPPAV foi desenterrar do pó dos armários e propôs repor em cena com o apoio firme da direcção do CIRV. Aqui iremos dando notícias dos ensaios e da biografia de Avelino Porto, irmão do destacado arquitecto vilarmourense José Porto.

domingo, 3 de outubro de 2010

Visita ao Museu do Ferro em Moncorvo



Associando o contacto com bons exemplos de preservação do património e o conhecimento da gastronomia regional, o GEPPAV deslocou-se neste sábado a Torre de Moncorvo, onde teve oportunidade de visitar o Museu do Ferro e da Região de Moncorvo e de provar as iguarias servidas no restaurante O Lagar. Magnificamente recebidos pelo Dr.Nélson Rebanda, impulsionador e responsável pelo museu, grande conhecedor da história local e regional, houve oportunidade de perceber que vale a pena investir na preservação da memória das gentes e na história dos territórios, único factor diferenciador no devir global e cada vez mais igual. Prova-o bem a aposta da autarquia de Moncorvo neste espaço museológico que, entre outros importantes vestígios da cultura material passada, expõe o valioso espólio da empresa Ferrominas que explorou o mínério local até aos anos 80 do século XX. Sempre guiados pela mão conhecedora do Dr.Nélson Rebanda, o GEPPAV percorreu ainda as ruas desta bonita vila transmontana, conhecendo outros locais patrimoniais como a bem cuidada Oficina Vinária ou a antiga Casa da Roda dos Expostos, hoje o Posto de Turismo. Esplêndidos exemplos que, apesar da nossa praia e mar, faríamos bem em seguir no concelho de Caminha antes que seja tarde de mais, a começar pela Oficina Fontes em Vilar de Mouros, espaço único ligado à arte dos metais desde, pelo menos, o século XVIII.

domingo, 4 de julho de 2010

Picasso em Ferro



Picasso em Ferro é o sugestivo título da exposição de Plácido Souto, membro do GEPPAV, inaugurada em 3 de Julho no Museu Municipal de Caminha. Depois de um primeiro grupo de obras ter percorrido o Alto-Minho nos últimos dois anos, chegou a vez de Caminha poder admirar mais uma série de trabalhos em ferro deste artista auto-didacta e tardio que decidiu prolongar na Arte uma vida inteira no duro ofício de ferreiro e serralheiro. A não perder até 26 de Setembro.

sábado, 26 de junho de 2010

Depoimento de Maria de Jesus Gomes "Milagreira", Junho 2010



Sempre à procura de novos dados sobre a história do CIRV, tivemos a sorte de encontrar Maria de Jesus Gomes, uma vilarmourense de 91 anos, hoje a viver em Lanhelas, que participou nas primeiras "comédias" encenadas em meados dos anos trinta. Com um espírito notável e uma memória fabulosa, Maria "Milagreira" — alcunha que adveio de uma cançoneta de opereta e ficou para sempre associada à sua família —, recordou os tempos difíceis da sua meninice e de uma vida dura de trabalho em Vilar de Mouros e, mais tarde, em França, mas também reviveu bons momentos passados no velho "Clube" entre os ensaios e as representações da "Bruxa" ou da "Flor do Mondego".

domingo, 6 de junho de 2010

Pesquisas no Governo Civil



Outro dos locais visitados pelos membros do GEPPAV em pesquisas sobre a freguesia é o Governo Civil de Viana do Castelo, onde se encontra o acervo documental deste organismo público, apesar de integrado no Arquivo Distrital. A recente deslocação à procura dos primitivos estatutos do CIRV, de 1935, foi contudo infrutífera. Por vezes assim sucede na investigação histórica mas não há que desanimar. Muita informação já foi entretanto recolhida (graças, também, à generosidade de muitos vilarmourenses) e não será por falta de conteúdos que deixará de se publicar ainda este ano o estudo sobre os 75 anos da associação mais representativa de Vilar de Mouros.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Trabalho no Arquivo Distrital



Excepto para aqueles que acompanham mais de perto as nossas actividades, a maior parte do trabalho do GEPPAV não é visível de imediato, resultando apenas em trabalhos publicados anos depois de realizado. Um bom exemplo são as muitas horas passadas nos arquivos locais e regionais, pesquisando e digitalizando, através da fotografia, documentos referentes à freguesia de Vilar de Mouros. Um dos locais mais visitados é o Arquivo Distrital de Viana do Castelo onde somos sempre muito bem recebidos e melhor atendidos, como ainda no passado mês de Março aconteceu.

domingo, 4 de abril de 2010

Depoimentos de António Fiúza e José Pereira



Os mais recentes depoimentos sobre a história do CIRV foram os de António Fiúza e José Pereira, recolhidos na sala do GEPPAV no dia 27 de Março, incidindo particularmente sobre o Almoço dos Reis — de que António Fiúza é hoje o cozinheiro principal —e a actualidade da associação, já que ambos os entrevistados fazem parte da direcção em funções.