sábado, 27 de abril de 2013

Comunicado GEPPAV: Não houve 25 de Abril para os peixes do Rio Coura



Os vilarmourenses que madrugaram este dia 25 de Abril, depararam com um estranho e desagradável espectáculo quando olharam para o Rio Coura e constataram que as suas águas estavam tingidas de um amarelo forte e opaco. Alertados de imediato, estiveram em Vilar de Mouros agentes da GNR e da Polícia Marítima que tomaram conta da ocorrência e recolheram amostras da água para análise.
Em pleno feriado e com uma temperatura agradável, estavam no largo do Casal e nas Azenhas diversos grupos de visitantes que, surpreendidos com o aspecto poluído do rio, provavelmente tão cedo não regressarão à freguesia. Para além das consequências na riqueza biológica e piscícola do Coura, convém também não esquecer que aqui é captada a água consumida em grande parte do concelho de Caminha.
Infelizmente, não é a primeira vez que sucede um evento desta natureza, sendo que a última com semelhante impacto data de Maio de 2011. A razão parece ser sempre a mesma: a deficiente selagem das antigas minas de Covas. Uma obra com esse objetivo da responsabilidade da EDM (Empresa de Desenvolvimento Mineiro) e orçada em 1,6 milhões de euros, foi dada por concluída em Abril de 2008, já lá vão cinco anos. Porém, como se volta a comprovar, o problema da poluição do Rio Coura derivado das escombreiras do volfrâmio continua por resolver.
Por conhecimento do terreno, documentado com várias fotografias tiradas hoje mesmo, apontamos para que a origem de mais esta descarga poluidora se situe na ribeira do Poço Negro (imagens supra) — situada cerca de 700 m a jusante da barragem de Covas — que faz afluir ao Coura as águas contaminadas provenientes das velhas minas, pelos vistos mal seladas.
O GEPPAV, na defesa do património natural do vale do Coura e preocupado com a salvaguarda da saúde pública, vem desta forma alertar para uma questão que nos parece muito grave, ao mesmo tempo que exige das autoridades responsáveis urgentes medidas de apuramento de responsabilidades e resolução deste grave problema ambiental.   

Vilar de Mouros, 25 de Abril de 2013


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Obituário de João Violante – Sentida homenagem do GEPPAV



Faleceu a 27 de Novembro de 2012, no lugar da Cavada, freguesia de Vilar de Mouros, na casa onde vivia com sua esposa, Maria Eduarda Covelo, João Sebastião Gonçalves, mais conhecido por Violante, nome familiar do lado paterno, aos 85 anos de idade. Já bastante debilitado pelos múltiplos problemas de saúde de que padecia, continuou, mesmo assim e até ao último dia, a fazer uma vida o mais próximo possível da normalidade. Homem de caráter forte, as palavras desistência, ou rendição, não faziam parte do seu vocabulário. No dia anterior à sua morte ainda se deslocou, sozinho, no automóvel próprio, como sempre fazia, ao bar das azenhas, refúgio preferido dos seus momentos de meditação, melancolia, mas também de lazer e de convívio.
Nascido a 20 de Janeiro de 1927, dia de S. Sebastião (daí o seu nome), no lugar do Agrelo, desta mesma freguesia, filho mais novo e único varão de uma família de pequenos agricultores, começou, logo que cumprida a escolaridade obrigatória, na altura a quarta classe, com doze anos de idade, por ajudar sua mãe e as três irmãs nas bem duras tarefas do campo. Cedo, porém, mudou de rumo. 
Correndo-lhe nas veias o sangue dos Gonçalves, família de muitos e bons estucadores, após uma curta passagem pela construção civil, ainda em Caminha, onde deu os primeiros passos na aprendizagem do estuque, partiu, aos dezoito anos, para Lisboa, onde se manteve até aos vinte e cinco, trabalhando na arte e frequentando, ao mesmo tempo, um curso de quatro anos na escola António Arroio. Com os conhecimentos aí adquiridos e possuindo uma apetência e habilidade inatas tanto para o desenho como para a moldagem (há baixos-relevos seus no bar das Azenhas, em sua casa, na parede exterior da Junta de Freguesia e do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense) é de supor que viesse a ter uma carreira de grande sucesso nessa área, não fossem os graves e recorrentes problemas de pele que estiveram na origem do seu prematuro regresso à terra natal. Virou-se então para a cerâmica, primeiro numa breve passagem pela oficina de António Pedro, em Moledo, onde trabalhou com Vítor Barrocas, e depois na fábrica de louça da Meadela. Mas também esta atividade foi de pouca dura. Dada a fraca compensação remuneratória para tanto esforço despendido (tinha de se deslocar diariamente, a pé e de comboio, de casa para o trabalho) e também por conselho médico, abandonou, em 1960, tendo optado por se estabelecer por conta própria, como pequeno comerciante, profissão que exerceria até se reformar.
Homem de convicções, dinâmico, corajoso, de grande firmeza de caráter, muito sensível às desigualdades e injustiças sociais, foi com enorme entusiasmo que assistiu à queda do regime fascista em 1974, tornando-se militante do Partido Comunista Português e desempenhando um papel muito interventivo na vida cívica, associativa e política vilarmourense. Foi vice-presidente do C.I.R.V. – Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, desempenhou funções na Comissão de Moradores local, na Cooperativa Agrícola Vilarmourense e no Conselho Diretivo de Baldios. Em termos estritamente políticos cumpriu dois mandatos como deputado da Assembleia de Freguesia e um terceiro como tesoureiro da Junta, de 1989 a 1993, sempre em representação da coligação integrada pelo PCP.
O seu gosto pela escrita, sobretudo pela poesia, o amor à sua terra e, muito em particular, ao Rio Coura, aliados a um espírito observador, crítico, por vezes mordaz, e a uma alma apaixonada, transbordante de emoções, fizeram com que fosse rabiscando, durante largos anos, ao sabor da inspiração do momento, pequenos textos, em prosa e em verso, em folhas soltas que, compiladas, acabariam por dar origem a um pequeno livro de sua autoria, intitulado “Lírica Vilarmourense”, editado em Novembro de 2010 e oferecido aos amigos e camaradas.       
Foi a sepultar no cemitério de Vilar de Mouros, no dia 28 de Novembro de 2012, pelas catorze horas, com a bandeira do PCP a cobrir a urna, conforme sua vontade expressa. Com este obituário, o Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense presta uma sentida homenagem a João Violante, a quem fica a dever uma continuada colaboração e ajuda no sentido da preservação da história de Vilar de Mouros e da memória do seu povo.


                                                                                                                         

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tripla Homenagem




Foram três os vilarmourenses entrevistados pelo GEPPAV que este verão de 2012 faleceram, todos já com uma bela idade e uma longa e honrada vida de trabalho. Agradecendo postumamente a sua colaboração para a preservação da memória da freguesia, aqui deixamos este registo a título de homenagem a Armando da Ressurreição Pontes (25/09/1916 - 06/08/2012), Abel António Ranhada (19/01/1918 - 19/09/2012) e Maria de Jesus Gomes (30/05/1919 - 19/09/2012).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Trabalho e recompensa





Contrariamente ao que pode sugerir a frequência de mensagens neste blogue, o GEPPAV não tem estado parado. Entre outras direções de investigação que sempre vão surgindo, a atenção maior tem sido dirigida para a pesquisa sobre a mineração em Vilar de Mouros no século XX, uma temática de grande interesse para a história da freguesia e do concelho de Caminha. As imagens insertas (uma à superfície no Castelhão e outra, subterrânea, na Fonte Nova) mostram a faceta mais dinâmica desta atividade em curso que, contudo, exige também aturada pesquisa documental. Se os objetivos forem cumpridos, contamos apresentar resultados no próximo ano de 2013 num caderno do património especial que incluirá ainda um valioso trabalho sobre a nossa realidade mineira da autoria da geóloga Raquel Alves, com quem o GEPPAV tem vindo a colaborar desde 2007. Entretanto, como não somos feitos de ferro (apenas de volfrâmio e estanho), antes da merecida pausa estival fomos conhecer o restaurante Muralha de Caminha, um nome apropriado para um novo estabelecimento hoteleiro que não hesitamos agora em recomendar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Maqueta restaurada apresentada no Almoço de Reis







Graças à mestria de Alberto Constantino, foi possível apresentar no Almoço de Reis, realizado no dia 1 de Abril, a maqueta restaurada do Hotel Porta do Sol (Caminha). Recentemente oferecida ao GEPPAV pelo seu encomendador — o construtor civil Luís Silva — trata-se de uma das últimas maquetas em gesso feita pela plêiade de maquetistas vilarmourenses, a derradeira mesmo de Manuel Renda que em 1989 a realizou em conjunto com o seu sobrinho Alberto Constantino. Junta-se agora às restantes maquetas restauradas por iniciativa do GEPPAV para a exposição de 2009 na Estufa do CIRV que, estando bem guardadas, precisariam contudo de um local condigno para ficarem em mostra permanente em Vilar de Mouros.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Melhoramento na sala do GEPPAV




Com a contribuição de todos, com destaque para o nosso digno representante na direção do CIRV — o Diretor Plácido Souto —, a sala do GEPPAV foi substancialmente melhorada na passada sexta-feira, antecedendo mais uma reunião de trabalho. Uma das paredes foi revestida a corticite, uma aparente pequena obra que, contudo, ao possibilitar a afixação da cartografia da freguesia em muito boa escala — obrigado ao arquiteto vilarmourense Jorge Alves pela ajuda desinteressada neste capítulo—, vem facilitar o labor nesta área tão importante para a construção do conhecimento histórico. Um bom exemplo é a tarefa que estamos agora a desenvolver: a localização aproximada das propriedades da Igreja na freguesia de acordo com o tombo da mesma do século XVI, há alguns anos transcrito pelo nosso amigo paleógrafo António França Amaral. Um trabalho moroso, por vezes frustrante pela ausência de informações rigorosas na identificação precisa de cada propriedade, mas que certamente vale pelo conhecimento acrescido sobre a geografia dos lugares e caminhos, a economia e a toponímia de Vilar de Mouros em época tão recuada — possibilitando, posteriormente, o confronto com tempos mais recentes e a própria atualidade.

sábado, 14 de janeiro de 2012

8.º aniversário comemorado com visita ao Castro de São Lourenço







São já oito anos de atividade aqueles que leva o GEPPAV, motivo de merecida comemoração. Primeiro gastronómica — em simpático restaurante ancorense de sabor brasileiro —, seguindo-se a habitual visita de estudo, desta vez ao Castro de São Lourenço (Vila Chã, Esposende) e ao seu novo Centro Interpretativo. Aqui fomos recebidos pela arqueóloga municipal Ana Almeida que amavelmente nos guiou pelas modernas instalações inauguradas em Agosto passado, culminando anos consecutivos de campanhas de escavação arqueológica sob a direção do Professor Carlos Alberto Brochado de Almeida da Universidade do Porto. Sorte a dos esposendenses, particularmente dos jovens em idade escolar, que têm agora à sua disposição um apelativo módulo de aprendizagem, introduzindo o posterior percurso pedestre por entre as edificações castrejas postas à vista pelos arqueólogos, algumas delas recriadas na sua forma original para mais fácil perceção de épocas longínquas. Escusado será dizer que no concelho de Caminha, também em Vilar de Mouros (Monte do Crasto), são diversos os sítios de interesse arqueológico, alguns deles objeto no passado recente de significativas campanhas de escavação — com destaque para o Coto da Pena (Vilarelho) e a Cividade de Âncora-Afife — que mereceriam a mesma atenção, valorizando a nossa História e contribuindo para a dinamização do turismo cultural e pedagógico. Aqui tão perto, Esposende é um exemplo a seguir.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Proposta a classificação patrimonial das oficinas de ferreiros de Vilar de Mouros




Cumprindo um dos propósitos que levaram à sua criação, a preservação da história da freguesia de Vilar de Mouros e da memória dos seus habitantes, o GEPPAV deu ontem entrada na Direção Regional de Cultura do Norte, na Casa de Ramalde, no Porto, da proposta de classificação patrimonial das oficinas de ferreiros Fontes e Torres. Para o efeito, fomos recebidos pelos Dr.Miguel Rodrigues e Drª.Sónia Gomes, técnicos superiores da DRCN, a quem fizemos entrega de um dossiê composto pelo requerimento inicial do procedimento de classificação, de acordo com os procedimentos de classificação de imóveis (Dec-Lei.309/09), acompanhado de duas publicações resultado da investigação sobre o tema — Ferreiros e Serralheiros de Vilar de Mouros (2008) e José Porto (1883-1965).Desvendando o arquitecto de Vilar de Mouros (2003), bem como por um CD-R com imagens das duas oficinas.
É conhecida a identificação de Vilar de Mouros com a arte dos metais, sendo que as duas grandes oficinas de ferreiros — a Oficina Torres e a Oficina Fontes, ambas sempre na posse das mesmas famílias — estiveram em contínua atividade desde, pelo menos, o século XVIII, como demonstrado pelas nossas recentes pesquisas. A partir de inícios do século XX, enquanto a Oficina Torres se especializava no fabrico de ferramentas especializadas para estucadores e pintores — vendidas em lojas e drogarias de norte a sul do país, sobretudo em Lisboa — a Oficina Fontes, que chegou a albergar duas dezenas de operários, dedicava-se à produção de alfaias agrícolas (sobretudo semeadores e sachadores), e a sua área de influência ultrapassou em muito o nível local para atingir uma surpreendente abrangência regional (Minho e Galiza) e até nacional. Graças ao sucesso comercial das suas alfaias, a Oficina Fontes (a maior das duas) beneficiou de uma importante obra de remodelação em 1948, com o projeto da autoria do arquiteto José Porto (1883-1965), um distinto conterrâneo há poucos anos regressado da Europa onde estudara e iniciara uma brilhante carreira profissional. Deste projeto de linguagem arquitetónica moderna e funcionalista, resultou o atual edifício da oficina, com extensas superfícies envidraçadas e uma clarabóia suspensa numa estrutura em madeira, única na região.
Ambas as oficinas cessaram a sua atividade industrial e comercial no decorrer da primeira década do século XXI, sendo que o seu exterior e interior (incluindo um valioso espólio industrial) se mantêm inalterados. A Oficina Torres, apesar de desativada, ainda é frequentada regularmente pelo seu último ferreiro e proprietário, enquanto a vizinha Oficina Fontes, há vários anos encerrada e à venda, se encontra em maior risco de degradação física, estando o seu espólio em sérios riscos de se perder.
A proposta de classificação das duas oficinas de ferreiros de Vilar de Mouros marca apenas o início de um processo de avaliação patrimonial por parte das entidades oficiais que é normalmente moroso mas importa sublinhar que a classificação de um imóvel no nosso país, que pode resultar da iniciativa do Estado, de uma associação ou de um cidadão a título individual, não tem qualquer interferência com a titularização, ou até transmissão, da propriedade, visando tão somente a salvaguarda e proteção do bem patrimonial.

sábado, 22 de outubro de 2011

Alerta para as pesqueiras e a calçada




No passado dia 17, elementos do GEPPAV deslocaram-se à Junta de Freguesia de Vilar de Mouros no sentido de alertarem o seu executivo para a situação precária em que se encontram duas estruturas patrimoniais da freguesia ligadas ao rio Coura. Uma delas são as pesqueiras a montante da ponte medieval que, apesar de particulares, são um testemunho vivo da economia local em tempos ainda relativamente próximos. Após os últimos invernos, as suas pedras (particularmente uma) encontram-se deslocadas e em risco de serem arrastadas para o fundo do rio. A jusante da ponte, por sua vez, situa-se a calçada das Telheiras, um caminho com séculos de uso que, depois de muito maltratado nos últimos anos (sobretudo pelos trabalhos da empresa Águas do Minho e Lima), está no presente em sério perigo de ruir por completo. Ambas as estruturas têm um valor insubstituível no contexto patrimonial de Vilar de Mouros e são um importante fator de atratividade turística, pelo que a sua eventual ruína significaria uma perda irreparável para a freguesia. Esperemos pois que este apelo do GEPPAV tenha sido ouvido e que a Junta de Freguesia envide todos os esforços junto das entidades competentes para impedirem que o próximo inverno complete a incúria dos homens em preservar a memória e a sua história.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Visita da Universidade Sénior



No passado sábado, 2 de Julho, o GEPPAV teve a grata oportunidade de receber na freguesia a visita de um grupo de alunos, responsáveis e docentes da Universidade Sénior do Rotary Club de Caminha que aqui vieram para melhor conhecer a Igreja Paroquial. A acompanhar o grupo vinha o Dr. Eduardo Pires Oliveira, doutorando na Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a tese "André Soares e o rococó no Minho". Este investigador teve a oportunidade de apreciar a talha da igreja, chamando a atenção para os retábulo-mor e altares laterais barrocos, para além do tecto da capela-mor, em caixotões, com pinturas alusivas à Paixão de Cristo. Foi salientada, ainda, pelo Dr. Eduardo Oliveira, a produção de cereais vilarmourense que aparece constantemente nas preocupações do donatário, a Capela de S. Pedro de Rates, da Sé de Braga, dado que na documentação que ainda se conserva aparecem frequentes referências a consertos de tulhas, celeiros e estruturas ligadas às rendas de milho que a freguesia era obrigada a entregar. 

sábado, 11 de junho de 2011

Três lições de História






O Verão ainda não chegou mas, passado o trabalhoso período que rodeou a edição e apresentação do Álbum de Memórias do CIRV, o GEPPAV já merecia um dia de descanso, com História e Gastronomia à mistura como é hábito. No passado sábado, 4 de Junho, com a companhia do Basílio Barrocas — por direito próprio, um membro honorário do grupo — não foi preciso ir muito longe para usufruir de três proveitosas lições sobre o nosso passado, mais longínquo e mais recente. Começámos por este último, com uma visita ao Colégio Jesuíta de Pasaxe, em Camposancos, mesmo em frente a Caminha. Guiados por um seu antigo aluno, o Sr. João, foi-nos possível constatar o estado extremo de abandono e degradação a que chegou este imenso edifício que serviu como estabelecimento de ensino mas também, durante a Guerra Civil de Espanha (1936-1939), como campo de concentração para presos republicanos. 
Recuando muito no tempo, seguimos depois para o Mosteiro de Oia, na estrada da Guarda a Baiona, um cenóbio cisterciense do século XII com uma longa história que tem ainda uma relação com Vilar de Mouros, mercê da louça de uso comum que daqui ia para a Galiza pelos finais do século XIX. 
Finalmente, depois de umas saborosas tapas e de um vinho do Ribeiro em amena esplanada da Praia América, atravessámos de volta a Ponte da Amizade para, na beira-rio de Lanhelas, assistirmos a uma divertida recriação do célebre episódio de 23 de Abril de 1644, em plena Guerra da Restauração, em que os bravos moradores da freguesia vizinha, com a ajuda de muitos vilarmourenses, como está documentalmente comprovado, repeliram uma investida de soldados galegos. Enfim, um dia bem passado antes do regresso ao trabalho.

terça-feira, 29 de março de 2011

GEPPAV apresentou Álbum de Memórias do CIRV







Foi apresentado este Domingo, dia do tradicional Almoço de Reis, o novo trabalho do GEPPAV, intitulado “Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense”. Perante o muito público presente na sede da Barrosa, a sessão de lançamento foi aberta pelo presidente da direcção do CIRV, Mário Ranhada, que declarou o seu orgulho pela obra agora apresentada aos vilarmourenses, bem demonstrativa do trabalho desenvolvido pela colectividade ao longo da sua história. Seguidamente, o trabalho foi sumariamente explanado por um dos membros do GEPPAV, Paulo Torres Bento, que salientou estar cumprida com o lançamento deste livro uma tarefa a que o grupo se propôs desde a sua constituição e para a qual foi recolhendo todos os dados possíveis. Novas e velhas gerações de vilarmourenses passam a dispor de um manancial de informações e imagens em que se podem apoiar com confiança para revisitar os episódios e os protagonistas do longínquo e mais recente passado cultural e recreativo da aldeia, devidamente inserido nos diversos contextos. Adiantou depois que, apesar do CIRV ter sido fundado em 1935, razões fundamentadas fazem recuar a sua história a 1907 porque é nas vésperas da implantação da República que radica a sua origem e grande parte do património genético que ainda hoje transporta consigo. Isso mesmo se explica no primeiro capítulo do estudo, a que se segue o relato da época áurea do teatro vilarmourense no velho Clube da Batalha, cenário de memoráveis espectáculos e bailes nos anos trinta a cinquenta do século XX. Vieram depois os tempos penosos da emigração europeia e da guerra colonial, que afastaram tantos vilarmourenses da sua terra, disso se ressentindo o CIRV. Antecipando o regresso da Democracia e da Liberdade em Abril de 1974, uma nova geração aliada a elementos mais antigos, reactivou a associação a partir de meados dos anos sessenta, um momento de viragem que conduziria a um dos períodos mais dinâmicos da sua existência com a mudança para a actual sede na Barrosa em 1986. Foi uma época marcada pela figura de Armando Ranhada, recentemente falecido, que no final da sessão de lançamento foi homenageado com o descerrar de uma lápide afixada no átrio da sede do CIRV, tarefa desempenhada por um dos seus filhos, Ricardo Ranhada. Não escondendo a emoção, Basílio Barrocas, actual presidente da assembleia geral da colectividade, proferiu depois breves mas sentidas palavras sobre a personalidade e a acção daquele que foi durante muitos anos seu colega na direcção, apesar dos diferentes ideais políticos. A edição do “Álbum de Memórias do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense” foi apoiada pela Câmara Municipal de Caminha, que se fez representar no lançamento pelo seu vice-presidente Flamiano Martins, bem como pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, também presente na pessoa da sua presidente Sónia Fernandes. Nas suas intervenções, não deixaram ambos de recordar o seu próprio percurso associativo, salientando a importância de preservar as tradições de passadas gerações mas também de projectar uma esperança para o futuro das colectividades de cultura e recreio das freguesias, hoje a viverem sérias dificuldades de participação.

segunda-feira, 28 de março de 2011

José Porto na toponímia de Vilar de Mouros



Por proposta do GEPPAV e cumprindo uma decisão da Junta e Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros já com alguns anos, depois ratificada pela comissão municipal de toponímia, foi agora finalmente concretizada a afixação num largo à face da Estrada de Marinhas de uma placa toponímica com o nome “Largo Arquitecto José Porto”. Na breve cerimónia realizada na manhã do dia 26 de Março, em que estiveram presentes a presidente da Junta de Freguesia, Sónia Fernandes, o presidente do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, Mário Ranhada, membros do Grupo de Estudo e Preservação do Património Vilarmourense (GEPPAV), e ainda amigos e vizinhos do benemérito arquitecto, José Porto (1883-1965) foi recordado com palavras de reconhecimento por alguns vilarmourenses que ainda tiveram oportunidade de o conhecer e de beneficiar da sua ajuda. Foi o caso de Daniel Silva, a quem José Porto ofereceu o projecto para a sua casa, e de Plácido Souto, membro do GEPPAV, que com ele aprendeu os rudimentos do desenho técnico. Recorde-se que José Porto foi em 2003 objecto de uma exposição retrospectiva da sua vida e obra, patente na Oficina Fontes, em Vilar de Mouros, ficando então evidente a relevância nacional do seu percurso profissional,  bem como o seu importante contributo para a freguesia natal, traduzido em múltiplos projectos por si oferecidos a particulares, à comunidade em geral e ao Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, actualmente a comemorar os seus 75 anos de existência.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Bendita Queimadela em Venade






Integrado na iniciativa municipal Março é Teatro, o Grupo Cénico do CIRV foi este sábado ao Centro Cultural de Venade apresentar a peça Bendita Queimadela. Perante uma assistência divertida com as peripécias da comédia escrita em 1949 por Avelino Porto, os jovens e menos jovens actores vilarmourenses orientados pelo encenador Fernando Borlido deram mais uma prova do seu talento. Parabéns!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Bendito espectáculo!





Aqui estão algumas das prometidas imagens do espectáculo de hoje no salão do CIRV, sendo visível numa delas o muito público presente.

Bendito sucesso!



Avelino Porto certamente ficaria muito satisfeito se pudesse ter estado hoje no salão do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, a celebrar os seus 75 anos. A representação da sua Bendita Queimadela foi um verdadeiro sucesso e o público correspondeu com uma enchente como há muito não se via no Teatro em Vilar de Mouros. Por este êxito, merecem o maior aplauso o encenador Fernando Borlido e os actores Augusta Caldas (brilhante no papel de Apolinária), Alberto Porto, Amélia Barros, Rui Barrocas, Débora Vilarinho, César Barros, Maria do Carmo Pereira, Gabriel Barros, Magda Barros e Clara Bento. De igual modo, são de louvar todos aqueles que contribuíram nos bastidores para que esta peça fosse possível: Basílio Barrocas, Carlos Pedro Barrocas e João Arieira na música; Carlos da Torre, no cartaz-folheto; o GEPPAV na pesquisa e no apoio; a Direcção do CIRV, com destaque para o seu Presidente Mário Ranhada, António Fiúza, José Maria Barros e José Pereira, em toda a logística. De salientar ainda o acompanhamento da comunicação social: do jornal Caminh@2000, sempre perto dos acontecimentos do concelho, e do Porto Canal, esta sim uma rara presença televisiva que se saúda. Publicamos agora imagens do elenco reunido no palco no final do ensaio geral de manhã e da festa que se seguiu ao espectáculo, no decorrer da qual Fernando Borlido foi merecidamente objecto do agradecimento por parte dos responsáveis do Centro. As fotografias da representação ficam para próximas mensagens. Parabéns a todos!

Hoje há Teatro!



Mantendo uma tradição da idade do Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense (75 anos), raras vezes interrompida, há Teatro em Vilar de Mouros por ocasião do Natal. É hoje, Domingo, pelas 15 h, que estreia uma comédia escrita pelo vilarmourense Avelino Porto em 1949 e agora encenada em 2010 por Fernando Borlido que dirige um grupo animado de jovens, e menos jovens, vilarmourenses. Bendita Queimadela!